A fundação de Munique foi um ato de oportunismo comercial: em 1158, Henrique, o Leão, duque da Saxônia e da Baviera, construiu uma ponte sobre o Isar e incendiou a ponte e o posto de pedágio que um bispo rival já tinha rio abaixo, em Föhring, desviando à força o lucrativo comércio de sal de Reichenhall para o seu novo povoado — registrado pela primeira vez naquele mesmo ano como “Munichen”, do antigo alto-alemão para “junto aos monges”, por causa do mosteiro beneditino que já existia no local. A família Wittelsbach assumiu o controle da Baviera em 1180 e governou a partir de Munique por 738 anos, uma sequência quase ininterrupta que só terminou com a abolição da monarquia em 1918; o seu último florescimento veio com Luís II, o chamado Rei dos Contos de Fadas, cuja obsessão pelas óperas de Richard Wagner e pelas lendas medievais deu origem ao Castelo de Neuschwanstein a partir de 1869 — inacabado quando ele morreu, em 1886, encontrado afogado no Lago Starnberg dias depois de ser declarado incapaz de governar, em circunstâncias ainda hoje discutidas.
O século XX deu a Munique uma distinção mais sombria: o Partido Nazista foi fundado aqui em 1919, e Adolf Hitler encenou o seu fracassado Putsch da Cervejaria no Bürgerbräukeller em 1923, uma derrota que o regime, já no poder, transformou em mito, ao chamar Munique de “Capital do Movimento”. A cidade também produziu a sua própria resistência a esse regime — a Rosa Branca, um pequeno grupo de estudantes da Universidade de Munique liderado por Sophie e Hans Scholl, foi executada em 1943 por distribuir panfletos antinazistas e hoje é lembrada com um memorial na praça da própria universidade. As tradições mais festivas de Munique se mostraram mais duradouras: a primeira Oktoberfest foi a festa de casamento real do príncipe herdeiro Luís, em 1810, realizada em campos na periferia da cidade que ainda se chamam Theresienwiese, em homenagem à sua noiva, e a Hofbräuhaus, fundada em 1589 como a cervejaria da própria corte real, ainda serve cerveja segundo a mesma lei de pureza que a Baviera promulgou em 1516 — a Reinheitsgebot, uma das normas de segurança alimentar mais antigas ainda observadas no mundo.