Henri Leroux
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Quando uma escapadinha à cidade se tornou a forma de uma família se manter próxima

Não se encontravam ali por ser a sua casa. Encontravam-se ali porque o lugar não pertencia mais a ninguém do que aos outros.

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A família já não vivia no mesmo lugar.

Com o tempo, trabalho, estudos e relações levaram as pessoas a cidades e países diferentes. As visitas a casa continuavam importantes, mas podiam perder-se entre rotinas e a responsabilidade de receber.

Uma terceira cidade ofereceu outra possibilidade.

Um lugar que ninguém tinha de receber

As pessoas chegavam a horas diferentes. Um hotel ou apartamento tornava-se uma base comum sem pedir a alguém que transformasse a sua casa num ponto de encontro temporário.

A cidade deixava espaço para ritmos diferentes: caminhar, visitar um museu, sentar num café e reencontrarem-se mais tarde. Não se tratava de encher um itinerário, mas de tornar mais fácil estarem juntos.

Tempo que não tinha de ser gerido

Em casa, o tempo em família traz pequenas responsabilidades: chaves, refeições, camas, compras e dar espaço aos outros.

Longe de casa, essas tarefas recuavam. Havia lugar para um almoço demorado, uma tarde sem plano ou uma hora em separado antes do jantar.

Uma tradição para a vida que levavam

O primeiro fim de semana funcionou suficientemente bem para se repetir. Por vezes a cidade mudava; noutras ficava igual, porque a familiaridade tornava os preparativos mais fáceis.

A família não deixou de se visitar em casa. Mas estas viagens tornaram-se uma ocasião própria: neutra, deliberada e afastada das pequenas pressões do quotidiano.

Por vezes, o melhor lugar para uma família se encontrar é aquele que pertence igualmente a todos.

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